Cuide bem
da sua saúde!

Consultas, exames e cirurgias

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O abcesso anal é patologia que ocorre por processo inflamatório/infeccioso na região perianal. Ocorre a formação de uma cavidade preenchida por pus.  Pode comprometer espaços diferentes da anatomia pélvica e assim determinando maior complexidade no tratamento.

Assim como todo processo infeccioso, o organismo tenta expulsar esse processo, assim como corre a drenagem espontânea de secreção purulenta aliviando os sintomas,

As principais queixas dos pacientes são:

      – dor

      – febre

      – dificuldade para urinar

Existem diversas causas para a formação do abscesso perianal, citadas a seguir:

      – criptoglandular

      – doença inflamatória intestinal

      – ingesta de espinho de peixe, ossos de frango ou corpo

         estranho que possa lesar o canal anal.

      – e outras.

O tratamento é ciŕurgico, deve ser feito drenagem ampla do abscesso, limpeza adequada afim de evitar complicações sérias como a Síndrome de Fournier.  Grande parte dos pacientes, com a cicatrização da drenagem do abscesso, evolui com a formação de uma fístula.

Espassos anorretais

1 – Supraelevador ;  2 – Perianal ;

3- Isquiorretal ; 4- Submucoso

O que é o câncer anal?

O ânus é a região que controla a saída das fezes, localizado no final do intestino grosso e liga o intestino ao exterior do corpo. No câncer anal, alterações dessa região fazem com que suas células cresçam descontroladamente, resultando em um comportamento maligno.
O câncer anal é raro. Um tumor anal maligno pode ocorrer na parte externa do ânus (mais comum no sexo feminino) ou na parte interna do canal anal (maior incidência no sexo masculino).

Quem está em risco?

Um maior risco para o surgimento do câncer anal é observado em:
• Portadores de doenças sexualmente transmissíveis, especialmente o papiloma vírus (HPV) e a AIDS (HIV);
• Indivíduos com idade acima de 50 anos;
• Fumantes;
• Transplantados;
• Portadores de fístula anal ou feridas abertas;
• Indivíduos que realizaram radioterapia pélvica;
• Hábito de ingerir pouca fibra alimentar;
• Indivíduos que praticam o sexo anal.

Como detectar o câncer anal?

Quando descoberto precocemente, as chances de cura são maiores. Pessoas com as características de risco acima mencionadas devem sempre consultar um coloproctologista. No entanto, existem sintomas de alarme, tais como:
• Alterações intestinais (intestino preso ou solto) e aumento da força na evacuação;
• Sangramento ou secreção purulenta nas evacuações;
• Caroço na área externa ou interna;
• Dor, pressão ou coceira no local;
• Inchaço no ânus ou na virilha.

Que exames devem ser realizados?

Para o diagnóstico de câncer do ânus, a colonoscopia não é o exame ideal. O diagnóstico é confirmado pelo coloproctologista, que realiza os seguintes exames:
• Inspeção e toque retal – o médico verifica se existem alterações externas ou internas da região anal, seguido de:
• Anuscopia – exame visual do canal anal, realizado com a ajuda de um espéculo chamado anuscópio;
• Retoscopia – onde um tubo é introduzido na região anal e permite examinar inclusive o reto próximo ao ânus;
• Ultrassonografia endoanal – que mostra em detalhes os tecidos que formam o ânus, através de imagem
• Biópsia – análise de um pequeno fragmento de tecido removido durante o exame, com a finalidade de verificar se há sinais de câncer.

Como é o tratamento?

A escolha do melhor tratamento dependerá do tamanho do tumor, do acometimento dos linfonodos e de suas condições clínicas.
Atualmente, o tratamento inicial é a combinação da radioterapia e quimioterapia. Quando descoberto precocemente, a cirurgia normalmente costuma ser eficaz.

Os tumores podem reaparecer, por isso é importante seguir as recomendações médicas e realizar os exames regularmente.

Lembrem-se: a descoberta precoce é a melhor prevenção.

O que é o câncer colorretal?

São tumores malignos que podem comprometer todo o intestino grosso (cólon) e o reto. Podem atingir tanto homens quanto mulheres, sendo a primeira causa de câncer do aparelho digestivo e a terceira em incidência entre todos os tumores malignos em nosso país. Segundo o INCa (Instituto Nacional de Câncer) foi projetado para 2018 cerca de 36.360 casos/ano (Homens: 17.380 e Mulheres: 18.980).

Quais os fatores de risco?

Os tumores de intestino grosso podem ser divididos em dois grupos básicos:
1) Esporádico
2) Familiares

Contudo, existem doenças associadas que podem aumentar a sua incidência.

Fatores de risco no câncer esporádico
Os fatores de risco que mais influenciam o surgimento de casos esporádicos de câncer intestinal são:
a) idade acima de 45 anos
b) dieta com alto teor de gordura
c) carnes
d) baixo teor de cálcio
e) obesidade
f) sedentarismo
g) tabagismo

Fatores de risco no câncer associado à herança familiar
Neste caso o risco está associado à transmissão genética dentro da família. Ou seja, aqueles que têm familiares com história de câncer colorretal, câncer de ovário, endométrio ou mama. Algumas condições genéticas familiares são chamadas de Polipose Adenomatosa Familiar e o Câncer Colorretal Hereditário sem polipose (HNPCC).

Fatores de risco no câncer associado a doenças
Algumas doenças representam fator de risco no câncer, como as doenças inflamatórias do cólon: a “retocolite ulcerativa” e a “doença de Crohn”, em especial.

Prevenção e rastreamento

Prevenção primária – Fase que se antecipa ao câncer.

  • Recomenda-se maior ingestão de alimentos ricos em cálcio, fibras (verduras e frutas frescas) e cereais integrais.

  • Evitar gorduras de origem animal, excesso de carne vermelha, conservantes, defumados, produtos químicos, consumo de álcool e fumo.

  • Praticar atividade física regular, se possível diariamente.

  • Combater a obesidade.

Prevenção Secundária: Segundo a maioria dos guidelines mundiais, bem como de acordo com a Diretriz da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva, a colonoscopia é o método de escolha para a prevenção secundária do câncer colorretal.

  •  Todos indivíduos com idade maior ou igual a 50 anos são considerados de risco médio e devem iniciar um programa de prevenção do câncer colorretal para detecção e remoção dos pólipos ou detecção do câncer em fase precoce ou seja sem invasão local ou metástase a distância, quando há maior chance de cura.

  •  Pacientes com história familiar de adenoma ou de câncer colo-retal são considerados de alto risco para esta doença e devem iniciar seu programa de prevenção através da colonoscopia, a cada 05 anos, a partir dos 40 anos de idade ou 10 anos abaixo da idade da manifestação do câncer em seu familiar mais jovem. Familiares com mais de um caso de câncer colo-retal podem estar diante de uma doença hereditária, devendo ter seu seguimento diferenciado, já sendo disponível, em alguns casos, diagnóstico através de estudos de genética molecular.

Quais os sintomas?

Infelizmente, os sintomas são mínimos ou inexistem no início da doença (quando os resultados do tratamento seriam melhores). Os mais importantes são:

a) perda de sangue, que pode ser oculto (só se manifestando através de uma anemia, fraqueza e cansaço) ou visível (sangue vivo ou escuro) percebido ao evacuar ou surgindo misturado às fezes
b) dor abdominal
c) massa abdominal
d) alteração do ritmo intestinal
e) intestino preso
f) diarreia alternada com intestino preso
g) vômitos ou náuseas

Como é feito o diagnóstico?

Frente a qualquer um dos sintomas ou sinais acima descritos, deve-se procurar o médico, habituado a investigar este tipo de doença. Um especialista pode conduzir o exame proctológico, indicando exames como a pesquisa de sangue oculto, a retossigmoidoscopia ou colonoscopia. Outros exames podem ser orientados pelo médico especialista de acordo com a apresentação do caso, sempre objetivando o diagnóstico precoce de pólipos ou de pequenos tumores. Não faça autodiagnóstico, nem se submeta a exames sem orientação médica.

Qual o tratamento?

Quando o tumor é muito inicial ou ainda trata-se de um pólipo, geralmente pode ser retirado através da colonoscopia.
Na maior parte das vezes, o tratamento é a cirurgia para remoção da parte afetada juntamente com os gânglios linfáticos (linfonodos). Em alguns tumores de reto, de diagnóstico precoce, é possível removê-lo através do ânus. Em outros casos, é possível retirar parte do reto e preservar o esfíncter anal, eliminando a necessidade de colostomia.
Dependendo do grau de desenvolvimento do tumor pode ser necessário um tratamento adicional (adjuvante) de quimioterapia e em alguns casos também de radioterapia. Em alguns casos, este tratamento (radioquimioterapia) pode ser indicado antes da cirurgia, reduzindo o tamanho do tumor e facilitando sua retirada. Em geral, a cirurgia é realizada por via abdominal. Em casos selecionados, a videolaparoscopia pode ser indicada. Dependendo do tipo de cirurgia e necessidade pode ser necessária a colocação de um estoma (colostomia ou ileostomia), temporário ou permanente.

Podem ocorrer metástases?

Sim. Especialmente nos casos avançados. As metástases mais comuns são para os gânglios linfáticos (linfonodos) que fazem a drenagem do local onde se encontra o tumor. Outras vezes, a metástase pode acontecer para outros órgãos, mais comumente para o fígado, o pulmão e o cérebro.
Finalmente, o melhor tratamento para o câncer colorretal é o diagnóstico precoce. A melhor prevenção do câncer é encontrar e remover os pólipos intestinais.

 

Cisto pilonidal, também conhecido com cisto sacrococcígeo é uma estrutura formada por uma bolsa revestida de células epiteliais, que contem pelos, fragmentos de pele, glândulas sudoríparas, sebáceas em seu interior. O acumulo desse material gera um processo inflamatório e poder formar abscesso. Acomete geralmente adultos jovens.

As causas não são bem determinadas, acreditava-se

que essa patologia ocorresse por defeitos embrionários, hoje a etiologia mais aceita é que aconteça pelo crescimento de pelos no subcutâneo que ocorra por traumas, atrito ou pressão. Esse processo gera uma reação de corpo estranho formando o cisto.

Cistos pequenos sem sinais de infecção podem ser assintomáticos ou apresentarem orifício externo por onde pode drenar secreção. A queixa de dor e desconforto acontece na fase aguda, quando existe o processo infeccioso instalado. Neste momento existe a necessidade de drenagem do abscesso. O tratamento definitivo na maioria das vezes ocorre em um segundo procedimento.

O tratamento do cisto pilonidal eletivo pode ser realizado das seguintes formas:

   – Exerese do cisto sacro, técnica aberta ou fechada

   

   – EPISiT, tratamento endoscópico do cisto pilonidal

    

Atualmente realizamos a cirurgia EPISIT por se tratar de um procedimento minimamente invasivo, proporcionando feridas operatórias menores, recuperação mais rápida, e assim,o retorno as atividades precocemente.

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Definição

A constipação intestinal é também conhecida por obstipação intestinal e, mais popularmente, como ”intestino preso” e “prisão de ventre”. Constitui um problema frequente na população geral de todo o mundo, acometendo ambos os sexos e todas as faixas etárias, sendo mais frequente nas mulheres. É caracterizada pela dificuldade constante ou eventual de eliminação das fezes (defecação), levando ao desconforto e outros transtornos ao paciente. Trata-se de um sintoma e não de uma doença especifica. Pode, no entanto, indicar alguma manifestação de doença que necessite investigação para o diagnóstico.

Causas

Na maioria dos casos a constipação intestinal não é provocada por um distúrbio de ordem física ou anatômica do trato intestinal. A causa mais comum é a propulsão difícil do bolo fecal em seu caminho em direção ao reto e canal anal. Neste caso, denomina-se constipação primária ou essencial, sendo responsável por 85% ou mais dos casos e provocada pela ingesta alimentar pobre em fibras vegetais e líquidos. Outros fatores podem estar associados e este tipo de constipação, como o sedentarismo ou falta de exercícios físicos, a ansiedade, depressão, o hábito de adiar a ida ao banheiro e os efeitos adversos de algumas medicações, colaborando para alteração ou piora do funcionamento intestinal. A constipação pode, ainda, ser um sintoma associado a doenças de gravidade variada. Em nosso meio é comum a doença de Chagas, importante patologia envolvida na constipação. Em combinação com outras manifestações como perda de peso, inapetência, dor, cólicas, sangramento, anemia e associados a massa abdominal palpável podem ser entendidos como “sinais de alarme”, indicando a necessidade de uma adequada avaliação médica.

Apresentações

São consideradas constipadas as pessoas que apresentam: a) queixas de eliminação de fezes endurecidas; b) frequência de defecação menor do que três vezes por semana; e/ou c) sensação de esvaziamento incompleto do reto. Em crianças menores, que ainda não conseguem relatar seus sintomas, a constipação deve ser considerada na presença de movimentos intestinais dolorosos, acompanhados de desconforto, gritos e manobras para não eliminar as fezes. A eliminação de fezes endurecidas, em cíbalos ou fragmentadas, mas de difícil eliminação, é também considerada constipação mesmo que a frequência seja normal.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico da constipação primária é essencialmente clínico, sendo o exame proctológico parte importante. Habitualmente a constipação primária não necessita de investigação complementar específica, podendo ser iniciado o tratamento clínico com o aumento da ingesta oral de fibra vegetal, principalmente por orientação dietética nutricional adequada, ou com adição complementar de fibra (20-30 g / dia) sob a forma de farelos, mucilagens ou sementes e aumento da ingesta de água e líquidos (3 a 4 litros / dia). A melhora do quadro clínico com estas medidas e na ausência de outras alterações confirma o diagnóstico. O paciente deve ainda ser estimulado a alterar hábitos de vida, evitando o sedentarismo, praticando atividade física equilibrada e em alguns casos selecionados, abordagem psicoterápica pode complementar a terapêutica adequada.

Condições especiais

Em alguns casos, a constipação pode surgir como manifestação secundária de doença sistêmica ou gastrointestinal. Nestes casos, apresenta-se de forma aguda ou insidiosa, devendo ser investigada através de exames complementares que podem incluir a colonoscopia, o clister opaco e outros. Nos últimos anos, o melhor entendimento da fisiologia colônica e da defecação, motivaram o desenvolvimento de novos métodos diagnósticos, que têm sido de grande ajuda para o tratamento de diversas causas de constipação, antes não diagnosticadas. Estas outras causas estão relacionadas a distúrbios da motilidade do bolo fecal desde o cólon até o reto e, finalmente, o ânus. Dentre estes exames, destacam-se a manometria anorretal, o tempo de trânsito colônico, e os estudos dinâmicos do ato evacuatório (videodefecografia e defecorressonância). Essa avaliação é de grande ajuda nos casos que não respondem à terapêutica convencional, podendo diagnosticar a falta generalizada de contração do cólon, conhecida comoinércia colônica. Também pode demonstrar a presença de distúrbios funcional ou anatômico do assoalho pélvico que impedem a adequada defecação, denominado defecação obstruída.

Tratamento complementar e específico

O uso de laxativos e outras medicações na constipação primária deve ser considerado como terapêutica complementar, sendo associados à medidas dietéticas e comportamentais. Isoladamente, estes laxativos não possuem efeito curativo e subestimam a base do problema, dificultando terapêuticas de longo prazo.

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Definição

Divertículos são pequenas saculações (pequenos sacos) que surgem na parede do intestino grosso podendo atingi-lo como um todo, principalmente o lado esquerdo em um segmento chamado sigmoide.

O divertículo é formado por uma camada interna chamada mucosa e outra externa chamada serosa, ambas muito finas e próximas aos vasos que nutrem o intestino. Não há uma relação direta entre os divertículos e o câncer de intestino, apenas alguns sintomas são parecidos. O seu aparecimento está relacionado à diminuição da ingestão de fibras na dieta, o que ocorre desde o início do século passado.

Chamamos de “diverticulose” a simples presença dos divertículos no intestino grosso. Estima-se que aos 50 anos de idade metade da população, homens e mulheres, tenha divertículos assim como praticamente todos aos 80 anos. Os pacientes portadores de diverticulose são assintomáticos. Uma pequena parcela destes apresenta algum sintoma, principalmente dor abdominal e mudança no hábito intestinal, passando a apresentar a “doença diverticular”. Os pacientes com sintomas devem ser investigados para confirmação do diagnóstico e identificação das complicações, sendo empregados exames laboratoriais (sangue, fezes e urina), exames radiológicos (clister opaco e tomografia computadorizada) e o exame endoscópico (colonoscopia).

A grande maioria dos pacientes com doença diverticular necessita de tratamento clínico baseado principalmente na correção dos hábitos alimentares e eventualmente no uso de analgésicos. O fator mais importante na correção dos hábitos alimentares é o aumento da ingestão de fibras (legumes, verduras, frutas e grãos) na dieta.

Complicações

Com a progressão da doença alguns pacientes podem apresentar uma infecção nos divertículos chamada de “diverticulite”. Esta é a complicação mais comum da doença diverticular. A suspeita de um quadro de diverticulite ocorre quando o paciente apresenta febre, mal estar geral, dor permanente no abdômen e parada do funcionamento intestinal, devendo então procurar atendimento médico imediato.

O tratamento da diverticulite é baseado na utilização de antibióticos por via oral nos casos mais simples e por via venosa nos casos mais complicados, necessitando internação hospitalar. A grande maioria dos casos de diverticulite responde ao tratamento clínico em torno de sete a dez dias. O tratamento cirúrgico é reservado para os casos mais graves que não melhoram com o tratamento clínico e evoluem com a formação de abscesso ou peritonite (infecção grave no abdômen), necessitando de cirurgia de emergência. A maioria dos pacientes melhora com o tratamento clínico e evolui satisfatoriamente sem outras crises. Alguns evoluem com novas crises, podendo apresentar estenose (estreitamento do intestino) ou fístula (comunicação interna do intestino grosso com os órgãos vizinhos como bexiga, vagina, útero, intestino delgado, pele, entre outros) que necessitam de tratamento cirúrgico eletivo (programado). Nos pacientes operados de emergência eventualmente é necessária a confecção de uma colostomia (colocação de parte do intestino grosso na parede do abdômen necessitando de uma bolsa coletora) que neste caso pode ser temporária, sendo revertida em alguns meses. Além da diverticulite alguns pacientes podem apresentar hemorragia, que é menos frequente, mas pode ser grave dependendo do volume de sangue perdido. Nesses casos os pacientes apresentam saída de grande volume de sangue vivo pelo anus muitas vezes acompanhado de taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), hipotensão (queda da pressão arterial), sudorese (suor frio) e desmaio e devem receber atendimento médico imediato. Na maioria dos casos o sangramento para espontaneamente, sendo que algumas vezes o tratamento endoscópico através da colonoscopia pode ser utilizado com sucesso. O tratamento cirúrgico é necessário apenas quando o sangramento persiste apesar do tratamento clínico e endoscópico.

Cuidados e Prevenção

As complicações da doença diverticular podem ser evitadas por um estilo de vida saudável com exercícios regulares, dieta balanceada rica em fibras, ingestão farta de líquido e um hábito intestinal regular, evitando a constipação intestinal.

Definição

A doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória que pode se manifestar em qualquer parte do tubo digestivo (desde a cavidade oral até a região anal) sendo mais comum na final do intestino delgado (íleo) e do intestino grosso (cólons).

Sua causa ainda não está esclarecida. Não é uma doença contagiosa e pode afetar tanto adultos como crianças, não havendo predominância de sexo. É uma doença muito comum entre os Judeus, mas sua incidência tem crescido entre outros grupos étnicos, especialmente nos grandes centros urbanos. Alguns fatores estão associados ao surgimento da doença e uma maior incidência dentro de núcleos familiares (10 a 25%) indica importância dos fatores genéticos. Outros fatores, tais como o contato comantígenos (vírus e bactérias), fatores ambientais (estilo de vida, tabagismo, hábitos alimentares) e emocionais, podem representar algum nível de importância em sua apresentação, caracterizando esta doença como multifatorial. Portanto, não há uma explicação definitiva para a causa da doença. É doença crônica e não há cura descrita. Pode se manifestar ao longo da vida com crises agudas recorrentes, assim como períodos longos de acalmia e ausência dos sintomas, chamado remissão. O tratamento medicamentoso e/ou cirúrgico pode influenciar positivamente no controle da doença, permitindo longos períodos sem sintomas.

Sintomas

Estomatites (inflamações na boca), diarreia, dor no abdômen, perda de peso e febre são características mais comuns. A inflamação do intestino delgado (principalmente do íleo terminal, em 80% dos casos) e do intestino grosso (colite) provoca diarreia com ou sem muco (secreção) e/ou sangue nas fezes. Apenas 1/3 dos casos apresenta doença restrita ao íleo terminal. Pode ocorrer estreitamento (estenose), em especial no intestino delgado. É comum apresentar distensões do abdome, dor do tipo cólica, com dificuldade para a eliminação de gases intestinais. É freqüente ocorrer uma obstrução parcial ao esvaziamento do conteúdo intestinal, com necessidade de internações com hidratação venosa, uso de antibióticos venosos e de corticosteroides, além de restrição temporária à ingestão de alimentos, para ajudar na recuperação. É possível também a ocorrência de fístulas. Um terço dos doentes com Crohn tem manifestações no ânus e região perianal. Esses trajetos fistulosos podem ser múltiplos e com grande destruição tecidual extensa, pela reação inflamatória própria da doença de Crohn e pela infecção secundária que ocorre na área afetada, prejudicando significativamente a qualidade de vida do enfermo.

Outros problemas podem surgir fora do tubo digestivo afetando a pele, articulações, olhos, fígado e vasos, conhecidos por manifestações extraintestinais.

Diagnóstico

A colonoscopia com biópsia e avaliaçãodo íleo terminal é o melhor recurso para o diagnóstico da doença. O exame histopatológicodo material colhido na biópsia pode confirmar a suspeita. A tomografia computadorizada do abdome pode ser útil na identificação de fístulas entre alças intestinais e outras alterações. Outros exames como radiografias do abdome, exame contrastado do intestino delgado podem ajudar. Os exames laboratoriais também são importantes no diagnóstico e controle da enfermidade.

Evolução, Tratamento e Controle

O curso da doença pode variar de acordo com as manifestações intestinais e/ou extraintestinais. É comum a desnutrição em adultos e crianças, podendo provocar atraso no crescimento quando a doença surge na infância.

O tratamento depende da forma de apresentação da doença e do grau de gravidade, é iniciado quase sempre com medicamentos. O corticosteroide é a medicação mais usada. Várias outras medicações podem ser associadas com o objetivo de fazer regredir a inflamação dos tecidos como os aminosalicilatos, os fistulectomia. imunossupressores e a terapia biológica. Alguns casos necessitam de intervenção cirúrgica para tratamento de complicações. A indicação mais comum de cirurgia é o tratamento das estenoses (estreitamento) intestinais. A investigação, tratamento e acompanhamento desses enfermos envolvem quase sempre um médico clínico (gastroenterologista) e um cirurgião (coloproctologista ou do aparelho digestivo), na maior parte das vezes, de acordo com a forma de apresentação, localização e extensão da doença.

Os pacientes que evoluem com doença por mais de 10 anos precisam ser controlados através de colonoscopia periódica, porque possuem um maior risco de apresentar displasia e neoplasia intestinal.

Fissura anal é uma fenda longitudinal semelhante a uma úlcera, localizada no canal anal. Podem ocorrem em qualquer idade, mas em geral são observadas em adultos jovens e de meia-idade.

Geralmente ocorrem na linha média posterior e anterior, que são áreas de menor vascularização.  Quando ocorrem em outras localizações levam a suspeita de outras doenças como doença de Crohn, tuberculose e outras.

Podemos dividir as fissura em agudas ou crônicas.

 – agudas: se assemelham a uma simples rachadura,

                   são agudas pelo pouco tempo de evolução.

 – crônicas: a ferida pode apresentar edema e fibrose,

                   apresentam mais de 8-12 semanas de evolução.

Fezes endurecidas que provocam o trauma do canal anal pode ser o fator precipitante da fissura, associado a uma hipertonia esfincteriana.  Porém alguns pacientes queixam de diarréia antecedendo a fissura.

O principal sintoma da fissura é a DOR, que pode ocorrer durante e principalmente após a evacuação. O sangramento pode existir, na maioria das vezes observado durante a higiene.

Em geral, o tratamento é dividido em três etapas, tratamento tópico, uso de toxína botulínica ou cirurgia.

Fig 1. Fissura anal

Fig 2. Fissura crônica – Tratado de Coloproctologia – São Paulo: Editora Atheneu 2012

A fístula perianal é um trajeto anômalo que comunica o canal anal ou reto com a áreal perianal.  Na maioria das vezes se originada após a resolução do quadro de um abscesso perianal ou pode ocorrer em doenças do canal do reto ou canal anal como a Doença de Crohn, que deve ser investigado pelo médico através da história clínica e exames endoscópicos.

As queixas mais comuns apresentadas pelos pacientes é a drenagem de secreção, por vezes sangramentos. Referem retorno dos sintomas após períodos de resolução. As fístulas podem ser simples ou complexas, pode ser necessário a realização de exames como ultrassonografia do canal anal ou ressonância nuclear magnética de pelve para avaliar o comprometimento muscular esfincteriano e determinar a melhor forma de tratamento.

O tratamento visa eliminar a fístula, prevenir as recidivas e preservar a função do esfíncter. Existem diversas técnicas:

   – fistulotomia

   – fistulectomia com colocação de seton

   – Cola de fibrina

   – LIFT (ligadura inter-esfincteriana trajeto da fístula)

   – VAAFT  (tratamento vídeo assistido da fístula anal)

      

Nos casos de fístulas complexas, optamos pela realização do VAAFT, por permitir a identificação do orifício interno, o tratamento do trajeto de  forma menos agressiva e com maior proteção dos músculos esfincterianos.

Hemorroidas são veias dilatadas na região anal que manifestam sintomas e por isto é melhor referir como doença hemorroidária. É um problema frequente na população geral. Existem dois tipos de hemorroidas: internas e externas, de acordo com a posição. As hemorroidas externas se formam no canal anal e região externa, sendo recobertas por uma pele bem sensível. Ao contrário, as internas estão na parte bem interna do ânus e são recobertas pela mucosa intestinal.

Os sintomas mais comuns ocorrem durante a defecação: dor, sangramento, prolapso. Algumas vezes, o prolapso é redutível (volta sozinho para dentro após a evacuação). Outras vezes é necessário empurrá-las para dentro. O sangramento pode ter intensidade variável, mas geralmente é vermelho vivo. Uma inchação persistente após defecar pode gerar uma sensação de inflamação, produzindo um desconforto e sendo muito doloroso. A coceira (prurido) ao redor do ânus é também um sintoma comum.

Mulheres grávidas desenvolvem sintomas com freqüência ao final da gestação e que acabam melhorando após a gravidez. Contudo, podem continuar apresentando problemas crônicos e devem procurar cuidados médicos.

O que causa hemorróidas?

A postura ereta característica da raça humana, influencia aumentando a pressão nas veias do ânus. Fatores, tais como: defecação difícil, uso crônico de laxativos, longos períodos sentado no banheiro, gravidez, além de rotinas profissionais ou esportivas, podem ainda aumentar mais esta pressão dentro das veias, o que as leva a dilatar. A hereditariedade (herança genética) também é reconhecida como um fator importante para o desenvolvimento de hemorroidas.

Hemorróidas podem causar câncer?

Não. Esta correlação entre hemorroidas e câncer não existe. Contudo, metade das pessoas que procuram tratamento para hemorroidas tem sintomas ocasionados por outros problemas. Em alguns casos o câncer pode ser a causa do sangramento pelo ânus e por este motivo não é seguro acreditar que seu sangramento provém de hemorroidas sem antes consultar um especialista. Procure um coloproctologista para ser avaliado e receber o tratamento adequado.

Tratamentos mais comuns

Sintomas leves normalmente são tratados através da correção dos hábitos alimentares, aumentando ingestão de água e de fibras. São boas fontes de fibras os cereais, os alimentos integrais, as frutas e os vegetais. Diminuir o esforço para evacuar é muito importante para não piorar o problema. Nos casos em que as medidas clínicas não resultam em um bom controle dos sintomas, pode ser necessário um tratamento definitivo através de procedimentos, que vão desde a ligadura elástica até a cirurgia propriamente dita.

Definição

Também conhecidos como verrugas anais, os condilomas são pequenas lesões com formato e aparência de verrugas que podem afetar a pele em torno do ânus, podendo surgir também no interior do canal anal. Outras regiões vizinhas também podem ser afetadas pelas lesões, principalmente a pele da área genital, períneo, nádegas e virilhas.

Causa

Condiloma é considerado uma doença sexualmente transmissível e o agente causador da doença é o Papiloma Vírus Humano, conhecido como HPV (human papilomavirus). Através do contato íntimo e direto pode haver transmissão da doença. Não é necessário haver penetração para o surgimento de lesões no ânus.

Sintomas

O sintoma mais comum é o prurido (coceira), podendo apresentar também sangramento e, mais raramente, dor. O mais provável é que o próprio paciente perceba as verrugas durante a higiene. Entretanto, algumas lesões são muito planas, rasas e não elevadas, podendo passar despercebidas pelo paciente, necessitando da avaliação de um coloproctologista, como no caso das lesões que surgem dentro do canal anal. Neste caso, é de grande importância o exame preventivo da região anal, a ser realizado sempre pelo coloproctologista.

Tratamento

Um pequeno número de verrugas pode ser tratado com sucesso através de aplicação local de medicamentos, tais como o ácido tricloroacético, a podofilina ou o imiquimod. Quando são mais numerosas, geralmente é necessária uma intervenção cirúrgica como a eletrocoagulação sob anestesia.

Importante enfatizar que lesões causadas pelo HPV, quando não tratadas, podem se espalhar ou crescer. Há sempre uma possibilidade de recidiva após o tratamento. Por isto é necessário um controle periódico no consultório do coloproctologista depois de realizado o tratamento.

Condiloma tem alguma ligação com câncer?

Sim. Existem subtipos do vírus que estão direta e claramente relacionados com a ocorrência de câncer na região anal.

Prevenção

O sexo seguro com uso de preservativos e com parceiros de confiança é a melhor prevenção para este problema. Se estiver em tratamento, procure se abster do sexo com o(a) parceiro(a) até que o tratamento esteja concluído. Por segurança, é aconselhável que o(a) parceiro( a) seja também avaliado.

As lesões por HPV não são exclusividade dos órgãos genitais. A região anorretal necessita de igual cuidado através de exames preventivos realizados pelo coloproctologista.

Incontinência é a incapacidade de controlar a eliminação, pelo ânus, de gases ou fezes de consistência líquida, pastosa ou sólida até o momento desejado.
Varia desde pequenas perdas de gás ou líquido até acidentes de grande monta. Independentemente do volume perdido, o paciente pode sentir-se bastante constrangido e inseguro, o que transforma de maneira substancial sua confiança e comportamento social.

Causas e Diagnóstico

Várias alterações na fisiologia anorretal podem causar incontinência, sendo comum a ocorrência de mais de uma deficiência associada. Como exemplo de distúrbios que podem levar à incontinência, destacamos os defeitos da musculatura do períneo causados pelo parto vaginal, os traumas, ou as condições associadas a cirurgias anorretais.
Alterações neurológicas também podem causar incontinência, mesmo com a musculatura intacta. É o caso da degeneração do nervo pudendo ou de alterações sistêmicas como o diabetes, que podem influenciar de forma negativa a continência ou controle da função anal.

A velocidade e consistência das fezes que chegam ao reto também podem contribuir para a dificuldade de continência. Proctites (inflamação da mucosa retal) causadas por inflamação ou radioterapia alteram a sensibilidade retal diminuindo a capacidade de acomodação do reto, causando sensação de urgência e aumento na frequência das evacuações. Em pacientes portadores de retocele volumosa ou megarreto as fezes endurecidas em grande quantidade se acumulam no reto causando um tipo de incontinência dita por transbordamento. Pacientes com prolapso retal também podem apresentar incontinência.

A consistência das fezes tem grande importância no desenvolvimento de incontinência fecal, principalmente em pacientes que apresentam algum tipo de déficit muscular, neurológico ou anatômico. Fezes líquidas ou pastosas não são adequadas e a causa desta condição deve ser investigada. Outras causas estão associadas ao aumento de gorduras ou açúcares na dieta, a síndrome do intestino irritável, as alterações metabólicas como hipertireoidismo ou diabetes, as cirurgias que diminuem o comprimento intestinal ou do reto ou, ainda, as cirurgias que aceleram o trânsito intestinal, como a extração da vesícula biliar.

Medicamentos também podem causar aumento da velocidade do trânsito intestinal e culminar em incontinência. São exemplo os hipoglicemiantes (usados no tratamento de diabetes) e as medicações antidepressivas. O uso indiscriminado de laxativos é outra causa potencial de incontinência.
A incontinência é um sintoma mais comum do que se imagina podendo ocorrer em qualquer faixa etária, com predominância em idosos. A vergonha e a falta de comunicação com a família e com os profissionais de saúde podem dificultar o tratamento adequado desta afecção.
Exames complementares podem ajudar no diagnóstico preciso da causa como a manometria anorretal, a ressonância magnética do canal anal ou a ultrassonografia anal. Estes exames podem definir o grau de enfraquecimento ou ruptura muscular, assim como a integridade da inervação e dos músculos do períneo. O exame proctológico e avaliação complementar dos cólons ajudarão a definir outras alterações.

Tratamento

O tratamento nem sempre está baseado em procedimentos cirúrgicos. Ao contrário, estão indicados inicialmente correções do hábito alimentar e das medicações usadas pelo paciente. Atualmente são disponíveis tratamentos como os exercícios de recondicionamento do controle anal (biofeedback), que apresentam bons resultados. Em caso com indicação de tratamento cirúrgico, o cirurgião coloproctologista avaliará e definirá a melhor estratégia ou abordagem. Dentre as várias técnicas disponíveis encontram-se a correção do músculo anal rompido, o reforço da musculatura do canal anal enfraquecida ou, inclusive, as técnicas de preenchimento anal, de implante de esfíncter anal artificial ou de estimulação do nervo sacral.

Definição

Trata-se de doença que acomete o intestino grosso (cólon e reto). Caracteriza-se por inflamação da camada superficial do intestino chamada de mucosa. A doença não tem causa definida, portanto não há tratamento específico para sua cura. No entanto, é passível de controle através de medicamentos. É associada a vários fatores, tendo por base um componente hereditário e imunológico importantes. Afeta geralmente pessoas jovens, manifestando-se por diarreia com sangue vivo nas fezes.

Quando acomete apenas o reto é chamada proctite e nesse caso costuma se manifestar por prisão de ventre com sangramento, às vezes confundida com hemorroida pelo paciente. É denominada de colite esquerda quando atinge o cólon esquerdo e pancolite ou colite extensa quando chega ou ultrapassa o cólon transverso. Eventualmente pode comprometer também a parte final do íleo terminal. A inflamação tem características próprias e uma biópsia é obrigatória para diagnóstico diferencial, pela necessidade de se afastar outras entidades que cursam com inflamação intestinal, tais como as colites causadas por bactérias, vírus e parasitas.

Sinais e sintomas

Os pacientes apresentam diarreia crônica com sangue, sendo comum a anemia, frequentemente sem febre. O diagnóstico se confirma por exclusão de doenças com causas tratáveis. Uma retossigmoidoscopia com biópsia é sempre obrigatória.

A colonoscopia ajuda no diagnóstico e especialmente no rastreamento da displasia e do câncer colorretal nos casos com mais de 7 anos de doença. A incidência de câncer colorretal é maior na doença extensa ou mais grave, assim como nos casos que possuem parentes com câncer de cólon.

A colite ulcerativa também cursa com manifestações em outros órgãos como os olhos, as articulações, a pele, as vias biliares e o fígado. Particularmente importante é a espondilite anquilosante que acarreta rigidez com imobilidade quase total da coluna.

Tratamento clínico

O tratamento em princípio é clínico, por longo período ou por toda a vida. Medicamentos específicos para controle da inflamação intestinal, tais como sulfasalazina, imunossupressores e/ou imunomoduladores também são prescritos. Se ainda assim a doença continua rebelde, o próximo passo é a introdução de medicamentos chamados biológicos, tendo como o primeiro da lista o infliximabe, feito em regime de hospital-dia (curta internação) programado.

Quando operar a colite ulcerativa?

As indicações são claras. Nos casos em que não se consegue controlar a doença, mesmo com o melhor do tratamento clínico e, eventualmente, na criança que não responde aos medicamentos, agravado pela parada do crescimento. Nos casos que ao longo dos anos desenvolvem displasia ou câncer no cólon. Nos pacientes portadores de cirrose biliar, provocada pela colangite esclerosante, e que vai se submeter a transplante hepático, pode ser indicado retirar o cólon antes como profilaxia para câncer, pois viverá dependente de imunossupressores em grandes doses, o que pode facilitar o surgimento da neoplasia no intestino grosso. Outras indicações para o tratamento cirúrgico são condições agudas como a hemorragia maciça, a perfuração ou infecção. Nestes casos é possível haver a necessidade de remover o cólon de urgência. O megacólon tóxico é um quadro grave que se manifesta com infecção descontrolada. Neste caso, se não houver resposta ao tratamento clínico intensivo a cirurgia é a única opção salvadora. Nestas duas condições pode ser indicado o uso de potentes medicamentos imunossupressores, a exemplo da ciclosporina.

Quais as cirurgias mais comuns?

Quando não é possível controlar a inflamação com medicações, a cirurgia é programada antes que sobrevenha um problema maior ou complicação como a hemorragia, perfuração ou infecção. A cirurgia ideal nestes casos é retirada total dos cólons e do reto sendo colocado o intestino delgado (íleo) para funcionar na parede abdominal (ileostomia definitiva).

Entretanto, uma técnica possibilita a reconstrução do trânsito intestinal através da confecção de um reservatório ileal (bolsa ileal)que permite que o paciente volte a evacuar pelo ânus. Esta não é uma operação fácil, sendo aconselhável a presença de um especialista em coloproctologia. Alguns fatores de ordem técnica podem impedir a efetivação desta reconstrução intestinal. A técnica com bolsa ileal pode também apresentar alguns contratempos ao longo dos anos, como inflamação local chamada de bolsite, que necessitam de especialistas para acompanhá-las.

Nos casos em que se utiliza a técnica de reconstrução do trânsito intestinal é comum que seja realizada uma ileostomia temporária com a intenção de assegurar uma melhor cicatrização dos pontos de sutura no intestino delgado com o reto ou ânus. Alguns casos raros que evoluem com inflamação da bolsa ileal (bolsite) podem exigir uma nova operação para retirada da mesma. Nestes casos o paciente permanecerá com ileostomia definitiva. Estas cirurgias estão indicadas para os quadros mais difíceis ou graves, livrando os pacientes de uma cirúrgica de urgência, de complicações sérias que colocam sua vida em risco, ou mesmo do câncer intestinal.